Interação com o público e descontração revolucionam o jornalismo esportivo no país
Por Rodrigo Coutinho e Thiago Fidelis
Fotos: Ruy Machado
Um novo formato de apresentação para os programas de TV vem tomando conta do noticiário esportivo. O bom humor e a interatividade com público e cenário são as características mais marcantes desse novo modelo.
Um dos expoentes da nova geração é o jornalista Tiago Leifert, que apresenta o Globo Esporte São Paulo desde o início de 2009. Durante a Copa do Mundo, Leifert esteve à frente do Central da Copa, programa que se tornou recordista de audiência, trazendo bom humor às notícias do dia na África do Sul.
Os telespectadores mais jovens gostaram de cara. O apresentador Alex Escobar, do Globo Esporte Rio, prevê que em breve todos se acostumarão com o novo modelo.
-Trabalhamos diariamente tentando agradar todas as faixas etárias, estamos tentando. Para o jovem é mais fácil entender o novo modelo. Os mais antigos demoram mais, em breve conseguiremos‘’.
Escobar, no entanto, ressalta que há espaço para todos.
- Acho importante aproveitar a qualidade de cada profissional no seu devido lugar. Tem cara que é ótimo para apresentar o formato antigo, isso tem que ser respeitado’’.
Marcelo Smigol, oriundo do programa humorístico de radio Rock Bola explica que o esporte permite a descontração, ao contrário de outras áreas.
- Esse formato mais descontraído tem tudo a ver com o esporte. Se fosse economia ou política isso não colaria. O esporte se assemelha ao entretenimento.
| Smigol e Escobar em palestra na Universidade Candido Mendes |
A interação conseguida com o público através da exploração das novas ferramentas de internet, é um dos alicerces do novo sucesso. Cléber Machado, narrador e apresentador, dá a dimensão dessa revolução, na qual o próprio telespectador produz conteúdo. Bem diferente de vinte anos atrás:
- Eu apresentei o Globo Esporte de São Paulo nos anos 90, todos sabiam que veriam os gols da rodada no dia seguinte, hoje, o cara manda vídeo, comenta no twitter, é um modelo muito mais interativo, o torcedor se sente parte do programa ‘’.
| Para Cleber, muita coisa mudou em 20 anos |
Será, porém, que com toda a descontração e bom humor que norteiam os programas esportivos atualmente, a credibilidade é afetada? Não para Leandro Lacerda, repórter do Sistema Globo de Radio.
- Esse formato tem que ser aprovado, é uma nova forma de fazer jornalismo. Tudo o que você tem possibilidade de agregar valor, dar ao público uma forma diferente de abordagem em cima de assuntos que já são há muito tempo discutidos, é válido. Não acho que corra o risco de perder credibilidade, é apenas uma forma diferente de se noticiar.
Seja como for, o jornalismo, assim como todas as áreas do conhecimento humano, não para de evoluir. E é extremamente importante que o profissional esteja atento ao que se passa à sua volta, para não perder o bonde da história. Se o novo formato vai vingar, só o tempo, cada vez mais curto, dirá.
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