quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Coisas difíceis de entender

   Toda vez que vejo um protesto de uma categoria por melhores salários ou condições dignas de trabalho, duas coisas me ocorrem: a primeira, o argumento escapista e cínico de que os insatisfeitos já sabiam que o salário era baixo quando passaram no concurso, e por isso não têm motivos para reclamar. Este é o senso comum, e tem sido vendido por setores da mídia de uma maneira bem sutil. Um exemplo: As recentes manifestações dos bombeiros e dos professores do Rio de Janeiro. As imagens sempre acabam mostrando os grevistas como baderneiros e inimigos do bom funcionamento do sistema, como se a culpa pela situação ter chegado o ponto em que chegou fosse deles.
  A segunda, é um pouco mais complicada de entender. Que lógica existe em gastar R$ 1 bi, dinheiro público, com a "reforma" de um estádio para um evento esportivo organizado por uma entidade que quer apenas lucro, nada mais, e deixar professores e bombeiros à míngua?
  O argumento para não conceder aumento aos servidores: "Não há dinheiro, se dermos esse reajuste, o estado quebra". Para o estádio: "A copa será um sucesso, vamos terminar as obras do Maracanã antes do previsto. Investimos quase um bilhão de reais"
  Não há justificativas, senhor governador. Como um professor vai sobreviver com R$ 860 (já com o mega reajuste previsto para este ano)? Como um bombeiro vai viver com menos de mil reais?  Há condições de o governador deitar a cabecinha no travesseiro e dormir sossegado? Só se tiver licitado também a consciência para a Delta ou a EBX. O que, infelizmente é a hipótese mais provável.

Uma singela troca nas palavras faz grevistas parecerem criminosos: truque sutil 

  Francamente, quem quer mudar algo por aqui precisa repensar a estratégia. Só divulgar o que acontece não tem adiantado. É tanto escândalo que um vai encobrido o outro e as denúncias se esvaziam. É necessário uma análise mais profunda. E de um jeito que o povo consiga entender que está sendo prejudicado, e possa então se organizar. Fica a dica.

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