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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O que você tem feito pela mudança?

Foto: Tais Luso (taisluso.blogspot.com)
Na rua, na chuva: Fidelidade é tudo

   Há três anos, quando estourou a crise econômica, discutia-se qual seria o tipo de recessão que o mundo enfrentaria: se em forma de U, com um longo mergulho rumo ao fundo do poço, ou se em W, com uma respirada e um novo mergulho. Pois bem, ficou comprovado que o formado correto é o WWWW, com idas e vindas, um cenário de completa esquizofrenia. Agora mesmo, a agência Standard & Poor's rebaixou a classificação da economia americana, em um sinal claro de desconfiança com relação à capacidade do governo Obama de honrar seus compromissos. Se a situação persistir, o risco de que outras agências rebaixem a nota dos EUA é grande, afirmam analistas.

   Mas, espera aí, não foram essas mesmas agências que recomendaram a compra de papéis do finado Lehman Brothers? Do Citibank? Ora, façam-me o favor! 
   E aqui no Brasil, pessoas continuam dormindo nas ruas, passando fome, sendo exploradas, ganhando um salário ridículo, endividando-se ao extremo, assumindo compromissos que talvez não tenham como honrar, tudo em nome de uma falsa prosperidade, muito mais fruto do ufanismo marqueteiro que da situação econômica. Mas parece que isto não é notícia, e muito por nossa própria culpa. Afinal, estamos muito satisfeitos com nossos carnês das Casas Bahia, pagando os juros mais altos do universo, mas com a TV nova em casa.
   Minha opinião: deveríamos nos preocupar com o nosso futuro. Com educação de qualidade, transporte eficiente, governos menos perdulários e menos corruptos, alcançaríamos de verdade um papel de destaque no cenário mundial. Enquanto isso não acontece, não podemos considerar nosso país como desenvolvido. Isso é propaganda enganosa, e pagaremos o preço da irresponsabilidade -nossa e dos representantes que elegemos- se não tomarmos já uma atitude.


 

domingo, 31 de julho de 2011

O índice da maldade: como um pãozinho pode afetar sua vida

   É impressionante como não tem importado muito o que você lê. Todos os jornalões bebem da mesma fonte e curtem o mesmo barato. Em se tratando de economia então, é um auê. Para eles está tudo uma beleza, nunca estivemos tão bem, economia pujante, blábláblá.
   Mas acho que falta um índice na "cesta", dos mais importantes, quiçá o mais. É o do pãozinho. Semana passada, fui com meus R$ 2 comprar os habituais dez carequinhas na padoca da esquina e voltei com oito. Por quê? "O pão aumentou, moço. Agora é 25 centavos"
   Mas o que é isso, são apenas R$ 0,05...  Mas esses cinco centavos são 22%, e essa é a linguagem que realmente importa. Seu salário aumentou tudo isso? A inflação acumulada em 12 meses foi essa? Meu Deus, o que justifica um aumento absurdo desses?
   Pode não parecer, mas isso tem influência direta na nossa vida, e não só por causa da quantidade menor de carequinhas. Acompanha o raciocínio: se o que você ganhou mês passado dava para comprar, sei lá, mil pães, e nesse só deu para 900, houve queda na renda. Agora leve isso para o transporte, habitação, lazer... tudo aumentou. E quando o seu salário aumentar, se isso acontecer, será um percentual menor. E aí chorou Bebel.
   Há muitos anos esse fenômeno ganhou um nome: ARROCHO. Pena que muita gente boa assimilou o senso comum e toma a versão oficial, de um oásis de pães quentinhos com manteiga, como a verdadeira.